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Aula 5

 
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Aula 5
por Alice Hübner Franz (202000626) - Friday, 20 Mar 2020, 17:00
 

Uma dúvida que surgiu a partir dos textos foi com relação a noção das organizações burocráticas enquanto sistemas planejados. Porque é justo o planejamento a condição favorável a evitar a morte do sistema.

Parece que reside nessa centralidade do planejamento uma ideia moderna com relação ao controle e previsibidade das instituições, neste caso as burocráticas.

Eu estudando
Re: Aula 5
por Silvio de Freitas Barboza (202000641) - Friday, 20 Mar 2020, 20:40
 

Pois é, Alice. Tive a mesma impressão. Penso que tem a ver com a base epistemológica funcionalista, cuja a realidade e as pessoas (sempre modeláveis) podem ser controladas.

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Re: Aula 5
por Mauricio Roque Serva de Oliveira - Friday, 20 Mar 2020, 22:58
 

Além da estreita relação com determinados preceitos do funcionalismo, como lembrado por Silvio,  a questão da sobrevivência da organização burocrática revela o caráter conservador e o caráter autoritário da abordagem, pois evitar a morte é um álibi para manter as estruturas fundamentais sem profundas mudanças; já o caráter autoritário se manifesta ao se colocar a sobrevivência do sistema acima dos indivíduos, pois estes podem ser descartados, enquanto a organização deve ser mantida, custe o que custar.

Revela, mais profundamente, um traço marcante da cultura da sociedade industrial ocidental: o horror à incerteza, ao desconhecido e, portanto, à maior das incertezas que é trazida pela morte. O homem ocidental típico não aceita a morte, tecendo um medo insuperável dela e assim estabelecendo uma fixação excessiva nas ideias de "permanência", de "continuidade", de "marcar" a sua passagem ou existência na vida para além da existência em si, a qual já é bastante significativa.

Daí, juntamente com a questão política do poder, eleger a sobrevivência do artefato social "organização" acima do bem estar e da própria sobrevivência do indivíduo, é a consequência dessa marca cultural.

Seria demais pensar que a morte das organizações, isto é, pensá-las como um artefato  provisório da ação coletiva não seria algo necessário à mudança social? À reversão do status quo no âmbito da sociedade como um todo? Questões para pensarmos.