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Tomada de consciência

 
Eu estudando
Tomada de consciência
por Silvio de Freitas Barboza (202000641) - Wednesday, 6 May 2020, 14:55
 

Salve Professor e colegas!

 

Como lembrou Audet (inspirado em Bourdieu), o campo científico é um lugar de lutas. Conhecer mais sobre o campo da administração (nas últimas aulas) deixou claro essa característica. Essas lutas refletem as diferentes relações de dominação e seus mecanismos (muitas vezes, sutis e invisíveis) de legitimação e naturalização. Achei fantástico a diálogo com Barthes como estratégia de demitologização (desvendar os “sentidos” dos diferentes mitos e ideologias que legitimam e naturalizam essa dominação cruel e absurda). Esse Barthes é um profeta, tive a impressão de que estava falando do atual “mito” brasileiro.

Os textos também evidenciaram que a cooperação (entre atores com interesses similares) e a resistência podem ser estratégias de luta contra os poderes instituídos nesse campo. No entanto, sabemos que não é um processo simples e sem custos (financeiros, emocionais, físicos etc). Como indicou Bourdieu na aula passada, as estratégias de subversão são ariscadas e demandam muito investimento (longo prazo), pois têm contra si a lógica do sistema vigente.

Penso que tomar consciência dos mecanismos que engendra o funcionamento desse campo é o primeiro passo para a sua transformação (que começa dentro e a partir de nós). Acredito que essa foi a proposta do professor. Fazer ciência tendo como motivação o seu produto social, sua contribuição para o bem comum (Serva, 2017, Halffman; Rader, 2015) parece-me, também, uma boa estratégia para superação dessa visão economicista do campo científico na atualidade.

Abraços!

Imagem de Mauricio Roque Serva de Oliveira
Re: Tomada de consciência
por Mauricio Roque Serva de Oliveira - Saturday, 9 May 2020, 13:19
 

Silvio,

De fato, o trabalho de Bourdieu sobre o campo científico é memorável. Não é por outra razão, foi o ponto de partida para a grande guinada na sociologia da ciência.

Roland Barthes foi um dos maiores intelectuais do Séc. XX. Autor de uma obra eterna, marcou época na sistematização da semiótica na França, lá denominada semiologia. Foi também crítico literário, escreveu romances que vieram a ser encenados no teatro, como o mais famoso dentre eles: "Fragmentos de um discurso amoroso". Precursor de estudos de fenômenos tratados por ele como "mitos contemporâneos", tais como a propaganda e a idolatria das imagens e aparências hoje tão presentes no mundo científico também. Estudei muito e aprendi bastante com a sua vasta obra durante o meu mestrado, cujo artigo que passei para vocês foi o resumo da dissertação. Asseguro que vale muito à pena dedicar tempo à leitura de Barthes, sempre atual.

Quanto às estratégias de luta e resistência às imposições econômicas e de poder vazio de sentido no campo acadêmico, sim, você captou muito bem, Silvio. Não é nada fácil optar por elas, não se ocupa posições "importantes" no mundo institucional/burocrático, não se tem benesses do sistema (ao contrário!), mas dorme-se todos os dias com a cabeça e a consciência em paz, e cada pequeno passo dado é um verdadeiro e feliz triunfo.

Concordo plenamente contigo: "tomar consciência dos mecanismos que engendra o funcionamento desse campo é o primeiro passo para a sua transformação (que começa dentro e a partir de nós)"; eis a razão de inserir o tema no curso de epistemologia. Por outro lado, diferentemente de Bourdieu, acredito que a escolha é sempre uma prerrogativa de cada um.